sexta-feira, 4 de junho de 2010

O ROSTO DE DEUS PAI REVELADO EM JESUS CRISTO


"Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou" (Jo 1,18).


Hoje assistimos um fenômeno peculiar da pós-modernidade em âmbito religioso: de um lado, o capitalismo materialista coloca a felicidade e realização da pessoa humana exclusivamente na posse dos bens materiais; e do outro lado, aumenta o número de pessoas à procura dos bens espirituais, e experiências religiosas. Se constata que estas pessoas ao buscarem uma experiência mais profunda com o transcendente, na maioria das vezes, ficam desnorteadas diante as dificuldades de escolher qual experiência fazer, que deus se aproximar, que religião assumir. Não é fácil no mundo de hoje definir quem é Deus e onde encontrá-lo para conhecê-lo: como encontrar Deus, como perceber o seu verdadeiro rosto no meio de tantos deuses e na confusão dos milhares de templos religiosos? Afinal, a problemática pode ser resumida na seguinte pergunta: Que Deus estou procurando?

Para o cristão, a Bíblia é o lugar privilegiado da experiência de Deus. No Antigo Testamento, Deus escolhe um povo e aos poucos vai se revelando na história deste povo eleito. Mas é somente no Novo Testamento, através de Jesus Cristo que Deus revela a seu verdadeiro rosto: um Deus Trino - Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo -, escândalo para os judeus, e insignificância especulativa para os gregos.

Proposta de um texto para reflexão:

"Eu vos afirmo e esta é a verdade: o Filho nada pode fazer por si mesmo, a não ser o que vê o Pai fazer. Tudo o que ele fizer, fará igualmente o Filho. Porque o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que faz. E lhe mostrará ainda coisas maiores que estas, das quais ficareis maravilhados. Como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, também o Filho dá vida a quem quer. Quem escuta a minha palavra e acredita naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será julgado, mas passou da morte à vida. Não posso fazer nada por mim mesmo. Não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. As obras que o Pai me deu para cumprir eu as faço e dão testemunho que o Pai me enviou. Nunca ouvistes sua voz, nem vistes sua face, nem conservais em vós sua palavra porque não credes naquele que me enviou. Percorreis as Escrituras, pensando ter nelas a vida eterna, mas elas também dão testemunho de mim, e vós não quereis vir a mim para terdes a vida!". (Jo 5, 19s)

A experiência paterna de Jesus:

 Ele nos fala do Pai a partir de sua íntima relação com Ele: "Ninguém jamais viu Deus. O Filho único que está no seio do Pai, foi quem o revelou" (Jo 1,18). "Rabi, sabemos que és um mestre vindo de Deus" (Jo 3,2). Jesus é a face humana do Pai: "Ninguém jamais viu o Pai, senão aquele que veio de Deus" (Jo 6,46).

 Jesus tem consciência de ser uno com o Pai: "Eu e o Pai somos um".

 Jesus se reconhece como Filho de Deus, Cordeiro de Deus. Tem plena consciência de sua filiação divina. Reconhecendo esta filiação testemunha João Batista: "Eu o vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus" (Jo 1,34).

 Ele fala constantemente com o Pai na oração, na solidão.

 Jesus é zeloso das coisas do Pai: "Não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes" (Jo 2,16).

 Ele age sob a autoridade do Pai: "Meu Pai continua agindo ... "(Jo 5,17). "Eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (Jo 6,38).

 Jesus é o Filho amado do Pai: Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único para salvar o mundo.

 Ele recebe do Pai uma missão: dá aos homens a vida eterna (cf. Jo 3,16). E a sua missão não é condenar, mas salvar (cf. Jo 3,17).

 Jesus se sente amado pelo Pai: "O Pai ama o Filho e confiou-lhe todas as coisas" (Jo 3,35).

O rosto paterno de Deus que Jesus nos revela:

1. Um Pai que tem uma predileção especial para com os doentes, os pobres, os marginalizados.

2. Um Pai que condena o pecado e deseja a salvação do pecador.

3. Um Pai preocupado com o destino de seus filhos.

4. Um Pai que tem um projeto de vida para seus filhos: a construção do Reino na história dos homens.

5. Um Pai que deve ser adorado pelos filhos: "Nós adoramos o que conhecemos" (Jo 4,24). Ele deseja ser adorado em espírito e verdade (cf. Jo 4,24).

6. Um Pai que reúne os filhos ao redor da mesa para partilhar o pão nosso de cada dia.

7. Um Pai que congrega os seus filhos em comum-unidade (Igreja).

8. Um Pai que alimenta os filhos oferecendo do seu próprio pão: "Meu Pai é que vos doa, do céu, o pão verdadeiro. O pão de Deus é aquele que desceu do céu e doa a vida ao mundo" (Jo 6,32b-33).

9. Um Pai que participa da dor e do sofrimento da humanidade, das suas angústias e esperanças.

10. Um Pai que faz questão em dialogar intimamente com cada um de seus filhos no silêncio da oração.

Deus Pai é para Jesus:

 um Pai misericordioso.

 um Pai que confia nos seus filhos.

 um Pai que ama infinitamente os filhos e por eles tudo faz.

 um Pai paciente e persistente, que espera a conversão dos filhos.

 um Pai presença na vida dos filhos.

 um Pai vigilante e zeloso.

 um Pai exigente.

 um Pai que ama a justiça e a verdade.

 um Pai que não discrimina, acolhe todos.

 um Pai que deseja ver todos os seus filhos unidos formando uma só família.

 um Pai que envolve todos os seus filhos no seu projeto de salvação.

 um Pai que conhece as necessidades de seus filhos.

 um Pai que é plena comunhão trinitária.

Convite à reflexão e meditação:

• Texto proposto: Jo 5, 19-24.

• Questionamentos:

 Qual a experiência que fiz até hoje da paternidade de Deus?

 Que traços da paternidade de Deus percebo mais marcante na minha espiritualidade?

 Sinto-me verdadeiramente amado por Deus Pai?

 Sou apaixonado por Deus Pai como era Jesus?

 Quais as experiências que aceitei a correção amorosa do Pai e que foi para mim conversão, libertação?

 Como vivo na minha comunidade a dimensão da fraternidade como filhos e filhas do mesmo Pai?