terça-feira, 2 de agosto de 2011

A ESPERA DE UM MILAGRE


Podemos viver uma etapa da vida a espera de um milagre ou um grande milagre, que poderá transformará radicalmente nossa existência. Vamos percebendo aos poucos com o passar do tempo, com um certo desespero, que o milagre talvez não venha a acontecer, e que não temos o controle do tempo que passa rápido demais. O mal que nos cerceia parece ser mais forte do que todos os nossos desejos de libertação e superação. E nos vemos atraídos e seduzidos por um poder satânico, que não conseguimos decifrar seu poder dominador sobre nossa vida. E cada dia que passa vai paulatinamente minando todas as esperanças e esforços de ver realizado o tão desejado milagre.

UMA LONGA ESPERA

A espera é longa, adentra dias e dias, sem nenhuma esperança da chegada do escolhido. O tempo avança e parece destruir toda semente plantada para ser replantada e perpetuar a espécie. De vez em quando retorna o pensamento, e uma voz sussurra ao coração: “Espera mais um pouco. Ele está chegando”. Mas é apenas uma voz que percebo a distância quilométrica de sua ressonância. Não passa apenas de uma voz. Não pode trazer nenhuma certeza, nenhum alivio que possa fortalecer a alma e revigorar as forças.

Talvez a maior tragédia que se aproxima é a sensação de impotência de desejar repassar o conhecimento e a proximidade da morte chegando e não se poder reverter nem uma vírgula do destino traçado. A espera de um milagre é na verdade a espera da compreensão do próprio mistério da vida, que não repousa no esperado, mas em mim mesmo. Talvez não tenha nada pra deixar para os outros e nem pra mim mesmo.

A espera de um milagre se parece com um porto construído numa ilha desconhecida que aguarda ansiosamente pelo desembarque de algum navio. É como um sonho que se insiste em sonhar acordado, mesmo percebendo a impossibilidade de tudo que estamos imaginando e desejando de olhos abertos. A espera de um milagre é o ato de reconhecimento de nossa suprema impotência diante de nós mesmos.

A VIDA NÃO ESPERA

Existem pessoas que passam a vida inteira esperando por este momento. E concluem a sua existência sem verem realizado o milagre. E podemos nos perguntar: de quem depende a realização do milagre? Depende do mérito de uma vida exemplar? Do esforço de perfeição? De uma recompensa divina? É verdade que existem forças misteriosas que atuam na realização dele. Não sabemos de onde vem e nem para onde vai. Desconhecemos o momento em que vão agir sobre nós e os outros.

A GRATUIDADE DA ESPERA

Parece que o milagre começa a acontecer no momento em que começo a perceber a gratuidade de cada momento que me é concedido para viver com todas as suas possibilidades de crescimento, e correspondo a esse movimento interior com uma decidia e irrevogável abertura de espírito. Nada se impõe e tudo pode ser transformado de dentro para fora e de fora para dentro.

O milagre quer atender as expectativas de quem deseja vê-lo realizado e em quem vai acontecer. No profundo do desejo está a realidade da mudança: mudança de vida, mudança de modo de pensar e agir, mudança no modo de ser e de se colocar diante da própria vida. O milagre é dinâmico e processual. Às vezes somos tentados a penar que ele acontece todo e de uma vez. Existem etapas de avanços e recuos, de certezas e incertezas, de vida e de morte.

O vigilante ficou a noite toda esperando o visitante indesejado. Ele não veio. Contudo, os olhos embriagados pelo sono da longa e cansativa espera, se conformam com a ausência que não se torna presença. A atenção é redobrada em qualquer movimento que possa sinalizar uma presença. É a expectativa do milagre. Nesta longa espera vigilante o milagre já está acontecendo.

O MILAGRE DA FÉ

E a fé onde entra neste milagre? É a última esperança de que alguma coisa possa mudar. Quando já estão esgotadas todas as outras possibilidades o ultimo olhar se prospecta na direção do infinito. Essa atitude chamamos de fé. Ela ajuda a colocar os pés no chão. Não importa se neste chão corre sangue untado de dores e sofrimentos. É o chão da vida, da realidade dura e crua de cada dia. É o chão da fé que nutre de coragem, de perseverança os passos cambaleantes, incertos. “Não é fácil dispensar o chão em que se pisa”, para poder se ficar forte e vencer as batalhas, e vencer uma batalha de cada vez.

Os caminhos de Deus são difíceis de serem aceitos quando estamos seduzidos, enfeitiçados pelo mal, pelos prazeres que o mundo oferece. A escolha é nossa: ao escolher o mal parece que escolhemos a melhor parte, a verdadeira felicidade, mas na verdade ficamos iludidos pelas aparências. O mal planta e colhe o mal. Afastar-se do plano de Deus implica numa escolha que em alguns casos é difícil de retornar depois. No ato da nossa liberdade repousa a possibilidade de ser livres ou danificar pra sempre a nossa vida.

Os sonhos terminam onde começamos a dizer para nós mesmos que preferimos o nosso egoísmo, que não estamos dispostos a mudar radicalmente nosso modo de viver a própria vida. Os sonhos são uma possibilidade de abertura em direção do futuro, que se constrói somente no momento presente.

Existe um olhar sobre nós mesmos que reflete o olhar que temos sobre os outros. A perspectiva de onde podemos partir – o que eu gostaria ou poderia ser – indica para onde podemos nos projetar e nos abrirmos ao verdadeiro milagre da fé: encontrar-se em Deus e se auto-encontrar Nele.

Tu podes mudar, não o mundo, mas a ti mesmo. É necessário descobrir o caminho para chegar ao mais profundo de si mesmo. É preciso deixar o único milagre acontecer.

A maior força que trazes não está nos teus músculos, mas no profundo de tua alma: a força do amor, a força do bem, a força do verdadeiro milagre.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A PROVAÇÃO DE JESUS, (Lc 4, 1-13)


Jesus, cheio do Espírito Santo, afastou-se do Jordão e deixou-se levar pelo espírito ao deserto, durante quarenta dias, enquanto o Diabo, o punha à prova. Nesse tempo não comeu nada, e no fim sentiu fome. O Diabo lhe disse: Se és o Filho de Deus, diz a essa pedra que se transforme em pão. Replicou-lhe Jesus: Está escrito que o homem não vive somente de pão. Depois o levou a uma altura e lhe mostrou num instante todos os reinos do mundo. O Diabo lhe disse: Eu te darei todo esse poder e sua glória, porque o deram a mim, e o dou a quem quero. Portanto, se te prostrares diante de mim, tudo será teu. Replicou-lhe Jesus: Está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e somente a ele prestarás culto. Então o conduziu a Jerusalém, colocou-o no beiral do templo e lhe disse: Se és o Filho de Deus, lança-te para baixo, pois está escrito que deu ordens a seus anjos para que te guardem e te levarão em suas palmas, para que teu pé não tropece na pedra. Replicou-lhe Jesus: Está dito que não porás à prova o Senhor teu Deus. Concluída a prova, o Diabo afastou-se dele até outra ocasião.

* Jesus está cheio do Espírito de Deus que conduz cada decisão de sua vida. Nós podemos está cheios do nosso próprio espírito, e procurando nos guiar pelos nossos próprios pensamentos e ações sem nada questionar e tudo aceitar. O desafio para o cristão do mundo de hoje é ser capaz de deixar-se guiar pelo Espírito. O Espírito conduz às experiências novas e inesperadas. Conduz sem oferecer garantias e seguranças. Transporta de uma situação existencial para outra situação, muitas vezes oposta. O Espírito desinstala o cristão de suas comodidades e provoca uma constante conversão espiritual rumo ao deserto, em direção ao essencial da vida humana – a vida segundo o Espírito.

* A ida ao deserto é uma experiência de procura, de encontro pessoal e solitário com o Pai. É uma solidão-encontro procurada pelo coração sedento do amor, do aconchego, da orientação do Pai. Mas também é o lugar da tentação, da provação, do amadurecimento da fé. Ir ao deserto significa colocar-se a caminho, iniciar um itinerário de desapego de si mesmo e de confiança total em Deus. No deserto a tentação cumpre a tarefa de purificar o nosso espírito, as nossas intenções, os nossos projetos humanos para que se tornem projetos de Deus.

* Jesus nada come e sente fome. O que alimenta a nossa vida? O que nos sacia? Temos fome de Deus, da sua Palavra, do seu amor? A tentação do ter, da posse dos bens materiais e das pessoas pode criar a falta convicção de que podemos tudo: “Se és Filho de Deus transforma\ essa pedra em pão”. O dinheiro parece ter o poder de realizar o impossível. “O Diabo lhe disse: Eu te darei todo esse poder e sua glória”. Muitos acreditam que quem tem dinheiro tem poder para resolver todos os problemas, curar todos os males e ser plenamente feliz. Entretanto, a realidade dos fatos mostra que essa tentação humana pode criar no coração humano a falsa ilusão que adorando o deus do ter encontrará a felicidade, a paz, a justiça e o amor. “Se te prostrares diante de mim, tudo será teu”.

* “Adorarás o Senhor teu Deus, e somente a ele prestarás culto”. Será que existe alguma coisa em comum entre os falsos adoradores e os verdadeiros adoradores de Deus? O que significa adorar a Deus? O problema não está na coisa em si que pode ser adorada, mas no modo como o crente se relaciona com essas as coisas. Essas coisas e pessoas estão ocupando o lugar de Deus na minha vida? A quem ou a que coisa eu me curvo todos os dias: ao dinheiro? a fama? aos objetos de estimação? à vontade em um amigo? aos vícios e pecados?

A provação de Jesus é um estímulo para sua ação missionária na medida em que se torna também o nosso itinerário de provação, de purificação, de santidade. Não é finalizada em si mesma. A provação do discípulo de Jesus prova o cristão e o conduz para uma ação transformadora da sua vida, da comunidade eclesial e do mundo em que vive.

TEMPO DE DESERTO E RENO-AÇÃO


O Retiro Espiritual é um tempo privilegiado de oração, um tempo de graça que Deus nos concede para realizarmos uma experiência de renovação espiritual.


O Retiro Espiritual exige do retirante uma atitude de estar disposto a fazer um caminho de conversão e redirecionar a caminhada. Quando alguém se dispõe a fazer o Retiro não deve está atrás de novidades, de experiências exotéricas. O Retiro é um tempo de escuta, de silêncio que a maioria das pessoas não estão acostumadas a fazer. Parece que vivemos na geração dos filhos do barulho. Mas o silêncio é essencial para poder ouvir a voz de Deus; “Fala Senhor teu servo escuta!”. Por isso é necessário fazer calar as vozes dentro de nós: as vozes descontroladas do nosso “eu”.

Tema: Lc 4,1-13

A experiência de Jesus no deserto: lugar das tentações, escolhas e purificação.

Jesus é conduzido ao deserto pelo Espírito (experiência espiritual).

Jesus é tentado pelo diabo durante 40 dias.

O jejum e a fome.

A tentação do poder: “Se tu és o Filho de Deus manda que esta pedra se torne pão.”

- tempo de revisão de vida: olhar com profundidade sobre a própria realidade pessoal para converter-se.

Qual é a minha realidade pessoal: quem sou eu? O que busco? Minhas certezas? Minhas frustrações?

- tempo de escuta da Palavra de Deus: silêncio para deixar Deus falar. A Palavra questiona o nosso modo de ser e de viver.

- tempo de crescimento espiritual: conhecer meu caminho espiritual: em que deve crescer? O que me falta para amar e servir os meus irmãos? O que devo fazer para crescer no espírito de oração? Qual o tempo que devo dedicar a oração pessoal na minha vida?

- tempo de deixar-se guiar pelo Mestre da oração: Jesus de Nazaré.

Ele quer nos ensinar a amar de verdade. Amor a Deus e aos irmãos.

Tema: Mc 1,21-28

Jesus e os discípulos chegaram à cidade de Cafarnaum, e, no sábado, ele foi ensinar na sinagoga. As pessoas que o escutavam ficaram muito admiradas com a sua maneira de ensinar. É que Jesus ensinava com a autoridade dele mesmo e não como os mestres da Lei. Então chegou ali um homem que estava dominado por um espírito mau. O homem gritou: O que quer de nós, Jesus de Nazaré? Você veio para nos destruir? Sei muito bem quem é você: é o Santo que Deus enviou! Então Jesus ordenou ao espírito mau: — Cale a boca e saia desse homem! Aí o espírito sacudiu o homem com violência e, dando um grito, saiu dele. Todos ficaram espantados e diziam uns para os outros: — Que quer dizer isso? É um novo ensinamento dado com autoridade. Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem. E a fama de Jesus se espalhou depressa por toda a região da Galiléia.

* Jesus estar com seus discípulos. Caminha e convive com eles. Dedica-se ao ensinamento.

* As pessoas estão dispostas a ouvi-lo. E nós estamos dispostos a ouvir quem? Por que ou pelo que nos deixamos guiar?

* Jesus não seleciona as pessoas para se aproximarem dele. Todos podem chegar perto dele.

* A presença do homem dominado pelo espírito mau. Quantos espíritos maus habitam dentro de nós?

* O espírito mau se confronta com a pessoa de Jesus. Diante dele o homem se questiona sobre si mesmo: o que queres de mim?

* A presença de Jesus incomoda, questionar porque ele conhece o mais profundo dos nossos sonhos e desejos. Ele sabe o que se passa com a nossa vida. Ele conhece os demônios que podem estar nos dominando. Ele é o Santo de Deus capaz de liberta o homem dos seus demônios e reconstruir a sua vida plenamente.

* O espírito mau pretende questionar a ação de Jesus: “você veio para nos destruir?”. Quando Jesus nos aponta os nossos demônios estamos dispostos a deixar que Jesus os destrua? Quem é mais forte para nós: a força libertadora de Jesus ou a escravidão dos demônios?

* Quando optamos por Jesus ele nos liberta: Cale a boca e sai desse homem!

* O caminho da libertação:

- momento de profunda crise: “o espírito sacudiu o homem com violência”. Tudo é questionado e revisto: nossas convicções, nossa fé, nosso modo de pensar e agir, nossas decisões. A nossa casa desmorona e devemos começar a reconstruí-la pedra sob pedra.

- quem sou eu e o que sou chamado a ser seguindo Jesus? Onde ficam as minhas verdades e certezas? São as mesmas de Jesus: Ele é “o caminho, a verdade e a vida”.

Tema: Mc 8, 34-38

Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma? Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.

* Jesus faz um convite à nossa liberdade: “se alguém quer vir após mim”. Ser discípulo de Jesus é colocar-se a caminho, percorrendo etapas de crescimento, vencendo os obstáculos do caminho, tendo um objetivo a alcançar na vida.

* O que significa negar a si mesmo? Prevalência do nosso “eu”, dos nossos projetos, da vida vivida para si mesmo

* Tomar a cruz de cada dia significa assumir todos os imprevistos, acontecimentos, sofrimentos, sacrifícios inerentes a existência humana como caminho de salvação e participação na cruz de Cristo.

* Seguir o Mestre é um desafio muito grande num mundo em que cada pessoa segue o seu próprio modo de pensar e agir. Colocar-se aos pés de Jesus para ouvir os seus ensinamentos.

* O que significa salvar e perder a vida?

* Perder a vida por causa de Jesus e do seu Evangelho.

* O dilema: ganhar o mundo inteiro e perder a alma?

Tema: Lc 5, 12-16

Certa vez Jesus estava numa cidade onde havia um homem que tinha o corpo todo coberto de lepra. Quando viu Jesus, o leproso se ajoelhou diante dele, encostou o rosto no chão e pediu: - Senhor, eu sei que o senhor pode me curar se quiser! Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: - Sim! Eu quero. Você está curado. No mesmo instante a lepra desapareceu. Então Jesus lhe deu esta ordem: - Escute! Não conte isso para ninguém, mas vá pedir ao sacerdote que examine você. Depois, a fim de provar para todos que você está curado, vá oferecer o sacrifício que Moisés ordenou. Mas as notícias a respeito de Jesus se espalhavam ainda mais, e muita gente vinha para ouvi-lo e para ser curada das suas doenças. Porém Jesus ia para lugares desertos e orava.

* O nosso corpo está cheio de que tipo de lepra? O que está nos consumindo por dentro e por fora?

* As pessoas com que convivemos vêem por fora. Jesus ver o nosso interior.

* A atitude de humildade diante de Jesus: cair aos seus pés, rosto no chão.

* Jesus vem ao nosso encontro: estende a mão para curar.

* A vontade de Jesus e a nossa vontade.

* É necessário vir ao seu encontro para ouvi-lo.

* Jesus procurava lugares desertos e orava.

* O que podemos encontrar nos lugares desertos e como Jesus orava?

* A oração de Jesus é um diálogo com o Pai. Relata os acontecimentos da vida, do que ocorreu durante o dia (dificuldades, superações, projetos).

- Os mandamentos: caminho de purificação e renovação de vida.

- A dinâmica da Lei de Deus para a construção da comunidade: a obediência a Deus e ao seu projeto (a experiência do povo na escravidão do Egito).

- O primeiro e o maior dos mandamentos: amar a Deus e aos irmãos.