segunda-feira, 5 de abril de 2010

JESUS SENHOR DA VIDA E O PODER DO MAL


A questão da origem do mal ocupou um lugar de destaque no imaginário das sociedades antigas até os dias de hoje. Desde que o homem toma consciência da sua humanidade ele busca compreender essa realidade que ao mesmo tempo transcende sua compreensão e é algo que está presente no mais intimo de sua existência. O homem não pode negar e nem sabe como dominar o mistério do mal. É uma força que está para além de suas possibilidades, de seu poder em dominar as forças ocultas da natureza.

É interessante observar que todo discurso religioso não pode fugir da problemática do confronto entre o bem e mal. A perspectiva teológica do evangelho essênico da paz coloca a problemática da existência do mal e de suas conseqüências negativas para o seu humano, de modo particular para o crente, diante da ação evangelizadora e salvífica de Jesus Cristo:

O texto:
“E então muitos enfermos e paralíticos foram a Jesus, perguntando-lhe: “Se tudo sabes, diga-nos: porque sofremos estas penosas calamidades? Porque não estamos inteiros como os demais homens? Mestre, cura-nos, para que nos façamos fortes e não tenhamos que viver por mais tempo nosso sofrimento. Sabemos que em teu poder está curar todo tipo de enfermidade. Livra-nos de Satã e de todos seus grandes males. Mestre, tem compaixão de nós.”(*)

O texto tenta expor uma interpretação teológica da questão crucial sobre o mal: quem é o autor do mal? Qual a origem do mal? Qual a entidade que representa e mantém o mal agindo no mundo? Quem pode exterminar o mal e deter sua influência? Todas estas questões estão sintetizadas na pergunta dos enfermos e paralíticos: “Porque sofremos estas penosas calamidades? Porque não estamos inteiros como os demais homens?”

Refletindo sobre o evangelho:

E então muitos enfermos e paralíticos foram a Jesus
O evangelho define aqui Jesus como o homem do encontro com os sofredores (enfermos e paralíticos). Ele tem consciência que sua missão é aquela de ir ao encontro, de está aberto sem restrições para os encontros imprevistos, não agendados. Jesus é alguém que deixa espaço para que o seu interlocutor possa tomar a iniciativa do diálogo. Não se apresenta como aquele que já tem respostas prontas, milagres encomendados, fórmulas mágicas e eficazes que resolvem tudo. Jesus está ao alcance dos pobres e sofredores. Ele apresenta-se como um caminho aberto para os homens em direção ao amor misericordioso do Pai.

perguntando-lhe: “Se tudo sabes,
O interlocutor de Jesus inicia o diálogo partindo de um pressuposto: Jesus é mestre de sabedoria, conhece todas as coisas visíveis e invisíveis. Diríamos hoje que ele considera Jesus como alguém que tem um profundo conhecimento das coisas terrenas e espirituais. Portanto, como mestre tem autoridade para opinar sobre qualquer situação humana. Ele conhece os mais profundos anseios, pensamentos, segredos do coração humano.

diga-nos: porque sofremos estas penosas calamidades? Porque não estamos inteiros como os demais homens?
Diante de Jesus procuramos respostas que revelem o homem para ele mesmo: penetrar no mistério de Jesus e de sua missão é adentrar no mistério da existência humana.
Os questionamentos propostos pelos interlocutores de Jesus tocam a essência do mistério do sofrimento humano: o que fizemos de errado, que pecado cometemos para merecer este castigo (penosas calamidades)? Por que devemos viver uma realidade de exclusão e sermos tratados de modo diferente dos outros homens, se na realidade somos todos pecadores? Os enfermos e paralíticos querem sinceramente compreender a sua realidade de deficiência corporal diante da perspectiva da justiça divina. Desejam entender a relação entre as calamidades corporais e a dimensão espiritual destes fatos. Jesus não entra na discussão de causa e efeito do sofrimento.

Mestre, cura-nos,
O poder taumatúrgico de Jesus é incontestável. Ele credencia a sua missão de Filho de Deus através dos sinais que realiza restabelecendo a saúde aos enfermos, e deste modo demonstra a força do seu poder.

para que nos façamos fortes e não tenhamos que viver por mais tempo nosso sofrimento.
Eles querem compreender quem é o responsável que define o tempo que deve durar o sofrimento. Jesus é a esperança de todo sofredor. Só Ele tem o poder de tornar o fraco em forte, o enfermo em são. Ninguém supera ou enfrenta o sofrimento sem Jesus.

Sabemos que em teu poder está curar todo tipo de enfermidade. Livra-nos de Satã e de todos seus grandes males.
Satanás é reconhecido como o autor de todos os males. Deus não é culpado pelo mal que existe no mundo dos homens. Só o homem livre do poder de Satanás pode experimentar a alegria de vida feliz.

Mestre, tem compaixão de nós.”
Diante de Jesus a confissão de fé “tem compaixão de nós” expressa que o caminho de libertação do mal requer da parte do crente a atitude de humildade e confiança absoluta no poder salvador do Filho de Deus. O crente si sente totalmente impotente como ser humano diante do poder do mal. Recorrer à força divina para aplacar a força do mal é a única alternativa possível. Se Deus não vier em socorro do sofredor ele será fatalmente atraído, consumido pelo mal. O coração amoroso do Filho de Deus acolhe todo sofredor para libertá-lo de todos os males.

___________

(*) Este texto faz parte do conhecido evangelho essênico da paz. Este antigo manuscrito se conserva em aramaico, na Biblioteca do Vaticano, e em antigo eslavo na Biblioteca Real dos Habsburgo, atualmente propriedade do governo austríaco. Os antigos textos em aramaico datam do primeiro século depois de Cristo, enquanto que a versão em eslavo é uma tradução literal do texto em aramaico.